quarta-feira, 4 de abril de 2007

Quem diria, quem me dera!

Sequer sou capaz de imaginar
De seus lábios o toque,
Se quente, se suave, ardente,
Esses lábios tão seus

São tão livres, independentes,
Recatados, ouriçados, sorridentes,
Tão cheios de pecado nesta carne
Que os preenche

Ah! os teus lábios nos meus!

Quem diria, quem me dera,
Se mais que fantasia,
Os meus lábios e os teus lábios nos meus lábios
Deslumbrarem-me em paixão!

Quem diria, quem me dera
Fosse mais que uma quimera
Os teus lábios nos meus lábios
Quem diria, quem me dera!

Ah! os teus lábios nos meus!

Quem diria, quem me dera,
Que deleite, desvario
Os teus lábios e os meus lábios nos teus lábios
Dentes, almas e paixão!

Quem diria, quem me dera
Que delírio sobre a terra,
Sob a lua, sob a relva, nos teus lábios os meus lábios
Quem diria, quem me dera!

Pablo de Araújo Gomes, 4 de abril de 2007

segunda-feira, 19 de março de 2007

Se Tu Queres

Se Tu Queres

Se perguntares se te amo,
Receio que a resposta seja não.

Te admiro,
Por isso me aproximo;
Te respeito,
Por isso não minto;
Te desejo,
Por isso me arrisco,
Dou a minha cara à tapa,
E até te peço um beijo!

Mas se o que entendes por amor
É diferente, é além,
É o amor que tem o amigo,
Que se sente por alguém,
Que se ama sem compromisso,
E não faz mal a ninguém,
Sim, te amo, isso nunca negarei!

E não peço nada em troca,
Se tu queres, quererei!
E se acaso não quiseres,
Paciente, a deixarei,
Lamentando no entanto
O prazer que não te dei…

Pablo de Araújo Gomes, 19 de março de 2007

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

Marinheiro sem pouso

Desejo, como tantos, um porto seguro:
E em toda a minha vida velejei em clandestinidade.
Parei, enfim, em calmaria, em porto tranqüilo,
E o que me espera?

Descobri que todo porto está em uma nação,
E que pode ser um prazer único nacionalizar-se;
Mas que pode não haver maior martírio
Que não ter amor à pátria...

Pude ver que não é fácil enfrentar os problemas,
Mas, com amor, é um desafio que ensina a se estabelecer;
Já a quem não ama, é difícil demais para seguir...

Querida, eu te quero bem; mas tenho que partir.
Gostaria de parar no porto de teu coração.
Mas é insustentável, se não guardo em meu peito tua nação!

Pablo de Araújo Gomes, 15 de novembro de 2004

domingo, 25 de janeiro de 2004

Face e Contrafação

Se teu beijo me arranha,
Sua falta me transpassa como lança.

Assim meu amor sobrevive alimentado
Por facas de dois gumes,
Que alimentam com pequenas doses de veneno.

Se teu abraço me sufoca,
Sua falta não me deixa respirar.

Assim meu amor vive intenso e forte,
Enquanto eu não tenho forças
Para acompanhá-lo ou deixá-lo ir.

Se dizes que me amas e me deixas,
Quando não me amavas, estavas comigo.

O que eu posso esperar?
Como poderia tentar entender a tua lógica?
Se, assim, me permitias viver com fome,
E hoje, que me alimentas, me matas um pouco a cada dia...

Pablo de Araújo Gomes, 25 de janeiro de 2004

terça-feira, 25 de junho de 2002

Entender

Quem pode querer entender
O abecedário abismal do amor,
O afã do mistério labirinto
O amar, o silêncio, o barulho...
O marulho da expectativa,
O estrondo de um não
bem redondo...

Pablo de Araújo Gomes, 25 de junho de 2002