sábado, 23 de maio de 2009

Inconfesso Desejo

Quanto mais ando na linha,
O proibido mais me espreita,
Não importam meus esforços.
O risco da desobediência estreita os laços
Quando a vigilância desata o nó,
A contravenção apressa os passos
Quando penso só em nós.

E de olhos fechados, num devaneio íntimo,
Sem que ninguém veja, eu realizo
O amor que jamais seria permitido,
O encontro de carnes dominado pela libido,
Saborear esta paixão que não faz sentido
Como só nos sonhos se faz possível

Pablo de Araújo Gomes, 23 de maio de 2009

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mórbida Vampiresca

Uma mão afaga, doce, meu pobre coração
Não há calor humano nessa ação
Calafrios me provocam os dedos gélidos da mão
E detém-me, cordialmente, a solidão

Nesse ínterim, pressiona-me um abraço
Aperta tanto que não sei mais o que faço
Esse tenebroso amplexo é derradeiro passo
Pra chegar a dor da morte ao meu encalço

Sinto, então, que um beijo manso me congela
E me suga corpo afora a alma
Mas do corpo a consciência não se apaga
E eis que em carne vita estranha se instala

Vida fúnebre, a de um corpo sem a alma,
Vaga esta insone, incalma,
E à matéria, pra poder alimentá-la,
Amputa este corpo, de outros corpos, suas almas.

Pablo de Araújo Gomes, maio de 2008

terça-feira, 29 de maio de 2007

Desnudar-se da solidão

Encontrar em si mesmo companhia
A companhia de que se precisa
A tão esperada e ideal companhia
Dispensar-se da necessidade de ser amado
Viver só como um lobo solitário

Talvez seja querer demais de um poeta
Esperar que ele possa superar só a solidão

Mas para desnudar-se da solidão
Que mata o homem e alimenta o poeta
É preciso dar de pleno a companhia,
Dar de si total carinho e atenção,
Precisa o poeta dar-se sem mais temer
A um amor que não lhe aumente a solidão

Pablo de Araújo Gomes, 29 de maio de 2007

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Quem diria, quem me dera!

Sequer sou capaz de imaginar
De seus lábios o toque,
Se quente, se suave, ardente,
Esses lábios tão seus

São tão livres, independentes,
Recatados, ouriçados, sorridentes,
Tão cheios de pecado nesta carne
Que os preenche

Ah! os teus lábios nos meus!

Quem diria, quem me dera,
Se mais que fantasia,
Os meus lábios e os teus lábios nos meus lábios
Deslumbrarem-me em paixão!

Quem diria, quem me dera
Fosse mais que uma quimera
Os teus lábios nos meus lábios
Quem diria, quem me dera!

Ah! os teus lábios nos meus!

Quem diria, quem me dera,
Que deleite, desvario
Os teus lábios e os meus lábios nos teus lábios
Dentes, almas e paixão!

Quem diria, quem me dera
Que delírio sobre a terra,
Sob a lua, sob a relva, nos teus lábios os meus lábios
Quem diria, quem me dera!

Pablo de Araújo Gomes, 4 de abril de 2007

segunda-feira, 19 de março de 2007

Se Tu Queres

Se Tu Queres

Se perguntares se te amo,
Receio que a resposta seja não.

Te admiro,
Por isso me aproximo;
Te respeito,
Por isso não minto;
Te desejo,
Por isso me arrisco,
Dou a minha cara à tapa,
E até te peço um beijo!

Mas se o que entendes por amor
É diferente, é além,
É o amor que tem o amigo,
Que se sente por alguém,
Que se ama sem compromisso,
E não faz mal a ninguém,
Sim, te amo, isso nunca negarei!

E não peço nada em troca,
Se tu queres, quererei!
E se acaso não quiseres,
Paciente, a deixarei,
Lamentando no entanto
O prazer que não te dei…

Pablo de Araújo Gomes, 19 de março de 2007