sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tudo Acabou

Podes descansar,
Não há ninguém olhando.
Pois eu creio ser teatro esse teu joguinho malandro.
Não hás de conseguir nada
Com esta sedução falsa e barata.
Tua volúpia atiça-me o corpo, mas me enoja a alma.

Desaparece de minha frente
Com teu perfume francês!
Desfaça já em minha alma tudo aquilo que você fez.
Você já não inspira em mim meu ódio ou meu amor,
Nem mesmo suas afrontas alimentam mais rancor,
Você já é passado, aceite,
Tudo acabou!

Pablo de Araújo Gomes, 19 de junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Proibido

É proibido amar!
É proibido andar!

Respirar, comer, correr,
Olhar, sentir e ver,
Cheirar, nem se fala:
É tudo proibido!

Está terminantemente proibido
Tocar, recostar-se e se acomodar,
Ouvir, também não é permitido.
Está tudo proibido!

Está proibido escrever versos sem propósito,
Tais como estes que você lê,
E usar os mapas da biblioteca,
Ou os da internet,
E os livros que não caíram em domínio público.
Proibido!

Está proibido oferecer serviços gratuitos,
Está proibido oferecer serviços pagos,
Está proibido oferecer serviços,
Está proibido oferecer-se em viço,
E se você espera que eu diga que Está proibido,
Eu digo
Digo que está proibidaço, meu amigo!

E proibir-se ou permitir-se,
Está também proibido

O que você está pensando
É realmente proibido!

Afinal de contas,
Quer saber o que não é proibido?

Não posso dizer,
Estou proibido!

Pablo de Araújo Gomes, 11 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Definir Eline

Talvez uma mulher sempre menina,
Talvez uma menina cada vez mais mulher;
De uma doçura raramente vista,
Mas alguém decidida, que sabe o que quer

Eline te dá o ombro, te bota pra cima,
É aquela amiga pra toda hora,
Perto de Eline, ninguém desanima
Esquece até de si, se um amigo chora

Lembro-me, Eline, de quando a conheci,
E de cada momento que contigo vivi,
De gestos inesperados que muitas vezes fizeste
De tantas vezes que alegraste meu espírito agreste

Nunca penses que estás só, Eline,
Ninguém como ti jamais ficaria!
Amigos às vezes parecem distantes,
Mas muitos pensam em ti todo dia!


Pablo de Araújo Gomes, 2 de junho de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

Inconfesso Desejo

Quanto mais ando na linha,
O proibido mais me espreita,
Não importam meus esforços.
O risco da desobediência estreita os laços
Quando a vigilância desata o nó,
A contravenção apressa os passos
Quando penso só em nós.

E de olhos fechados, num devaneio íntimo,
Sem que ninguém veja, eu realizo
O amor que jamais seria permitido,
O encontro de carnes dominado pela libido,
Saborear esta paixão que não faz sentido
Como só nos sonhos se faz possível

Pablo de Araújo Gomes, 23 de maio de 2009

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mórbida Vampiresca

Uma mão afaga, doce, meu pobre coração
Não há calor humano nessa ação
Calafrios me provocam os dedos gélidos da mão
E detém-me, cordialmente, a solidão

Nesse ínterim, pressiona-me um abraço
Aperta tanto que não sei mais o que faço
Esse tenebroso amplexo é derradeiro passo
Pra chegar a dor da morte ao meu encalço

Sinto, então, que um beijo manso me congela
E me suga corpo afora a alma
Mas do corpo a consciência não se apaga
E eis que em carne vita estranha se instala

Vida fúnebre, a de um corpo sem a alma,
Vaga esta insone, incalma,
E à matéria, pra poder alimentá-la,
Amputa este corpo, de outros corpos, suas almas.

Pablo de Araújo Gomes, maio de 2008