domingo, 20 de setembro de 2009

A Gota

Esta gota que escorre em minha pele
É a água que resiste ao fim do banho
É o perfume que pra te encontrar usei
É o meu suor frio da expectativa por te ver

Esta gota que escorre em minha pele
É a água da chuva em que nos amamos
É o teu suor com que, em prazer, me banhei,
É a lágrima derradeira, que por te querer chorei


Pablo de Araújo Gomes, 20 de setembro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

Insegurança

Ferina, agacha-se a fera,
Felina, camufla-se e segue
Fera, escondida, escolhe sua vítima
Entre todas do rebanho que a circunda

Um passo em falso, a fera perde a linha
Enfia o pé num galho seco e se denuncia
Espanta o bando que em desordem se retira
Ferida a honra e o seu corpo, a fera fica

Fera felina, ferina fera, honra ferida
As suas garras e suas presas perdem sentido,
Seu passo manso, suave e lento fica indeciso,
Cambaleante, sem o alimento que lhe é preciso.

Caça após caça, se aprende com seu erro,
A fera come e vive bem a sua vida
Mas se o erro lhe prejudica a auto-confiança,
De fome morre a alma humana, fera perdida.


Pablo de Araújo Gomes, 13 de Setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ansiedade

tic...

tac...

tic...

tac...

tic...

tac...

...

...

...

Enquanto as mãos se agitam e se procuram,

tic...

O coração bate mais que o pêndulo do relógio,

tac...

Mil coisas passam pela cabeça,

tic...

O tempo segue se recusando a passar

tac...

Nenhuma idéia se prende à mente

tic...

...
...
...

tac...

...
...
...

tic...


Pablo de Araújo Gomes, 02 de Setembro de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Romântico

Pele, carne, calor e paixão

Por que mais viver,
Se teu cheiro suado não mais vou sentir?
Pelo que vivi, todo tempo que passou,
Se teu amor, que um dia experimentei,
Era sonho, e eu acordei?

Dessas memórias que eu trago,
De toda a vida que por ti perdi,
A mais triste é a mais intensa.
Recordo o amor, que, eu pensava, tu me davas,
Naquela noite em que teus olhos, distantes,
O retrato de outro fitava.

Por isso, antes que o tempo
Arranque de meu corpo teu cheiro, teu suor,
Antes que o passar das horas me prive das marcas de tuas unhas,
Que, na derradeira despedida, em minhas costas tu fizeste,
Parto da vida, para sempre, e levo comigo
O último restinho de ti que, chorando,
Com amor me deste, me relegando ao olvido.


Pablo de Araújo Gomes, Agosto de 2009

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Poucas Palavras

Palavras
São meio, são fim,
São tijolos, para mim,
Objeto destes versos
E de outros mais, diversos,
Porque, escravo delas feito,
É com elas que desafogo meu peito.


Pablo de Araújo Gomes, 19 de agosto de 2009