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Literatura Errante?
terça-feira, 25 de junho de 2002
Entender
Quem pode querer entender
O abecedário abismal do amor,
O afã do mistério labirinto
O amar, o silêncio, o barulho...
O marulho da expectativa,
O estrondo de um não
bem redondo...
Pablo de Araújo Gomes, 25 de junho de 2002
quarta-feira, 19 de junho de 2002
Como
Como envolto em mar revolto
Ou caído em selva escura...
Como soldado em guerra ferido
Ou animal triste cativo...
Como atleta longe do esporte
Ou intelectual longe dos livros...
Como sábio sem alunos
Ou como poeta sem lápis...
Como violeiro sem viola
Ou um ator sem papel...
Como político sem tribuna
Ou como navegante sem barco...
Como porto sem cais
Ou romance sem letras...
Como poemas sem palavras
Ou a vida sem amor...
Como manhã sem sol
Ou como eu sem você.
Pablo de Araújo Gomes, 19 de junho de 2002
sexta-feira, 3 de maio de 2002
As Pessoa
As pessoa é imperfeita
Pru que tem imperfeiçãos,
E imperfeiçãos é um defeito
Que as pessoa tem de montão…
As pessoa não tem inducação,
As pessoa não tem saude
Procê vê que puriço não sabe nem falá…
As pessoa nem iscrevê sabe,
Pruque ninguem dexô elas aprendê…
Num sei como deus dexa as pessoa vivê!
Pablo de Araújo Gomes, 03 de maio de 2002
sexta-feira, 4 de maio de 2001
Flor
Tu és uma flor,
E o porquê, já te digo;
É favor dar-me atenção,
Que pensei, cá, comigo:
As flores reúnem,
Em simplicidade,
O que se elogia
Até complexidade.
E não se resumem:
As flores reúnem
O que há de invejável,
O que há de afável:
Beldade debalde,
Perfume inefável,
Um modo amável
De ser sem igual!
Não cansam abelhas,
Como as borboletas,
Da busca constante
Por teu néctar farsante!
Reúnes também,
Em ti, complacente,
Um modo inocente
Que tão poucas têm...
Beldade debalde
Perfume inefável,
Um modo amável
De ser sem igual!
O que há de invejável,
O que há de afável,
Constância infindável,
És inabalável!
Tu conflagras o mais nobre dos mortais,
Tu dominas teu Olimpo como ninguém mais,
Tu tens tudo pra ser flor, sendo assim a flor se apraz,
És só tua, sou só teu: o que queres mais?
Pablo de Araújo Gomes, 4 de maio de 2001
terça-feira, 19 de setembro de 2000
Divina!
Divina seja a hipocrisia,
Divina seja, divina!
Divina seja a sacristia,
Divina seja, divina!
Divina seja esta agonia,
Divina agonia, divina!
Divina seja toda má companhia,
Divina, companhia divina!
Divina seja esta repetição insuportável!
Divina... chata mas divina!
Que toda dor seja tão intensa,
Para que tão logo se acabe!
E que, enfim, possamos dizê-la divina!
Pablo de Araújo Gomes, 19 de setembro de 2000
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