sexta-feira, 24 de abril de 2015

Eclético

Eclético, sim!
Assim me considero

Quer dizer que tenho gostos
Que variam de padrão
Gosto de uma boa música regional
Como frevo ou baião
Ou gosto de punk rock
Tocado por um alemão

Quer dizer que eu experimento
Que busco novas vivências
Gosto do que é bom só por ser bom
Seja barroco, clássico ou pós-moderno
Vou de Machado a Castro Alves
Contemplo Zizo e ouço Miró

Não implica, no entanto,
Como alguns esperariam
Que eu adira à onifagia
Pela qual muitos consomem
Qualquer uma porcaria

Também não quer dizer
Que eu caio na normose
De cultuar os Deuses
Heróis e outros mitos
Da cultura massificada

Eu quero muito mais!
Mais do que o mito eterno
De um músico que não se recria
Mais do que o brilho efêmero
Que só dura enquanto a mídia alumia

Sou eclético,
E sinto falta de sangue novo:
Literatura e artes visuais
Música, teatro e outras mais
Arte errante, em toda parte
Obscurecida pela imposição
De uma produção medíocre
Ou enfraquecida pela falta da união
Dos artistas esquecidos
Que já não se comunicam mais

Pablo de Araújo Gomes, 24 de abril de 2015

sábado, 8 de março de 2014

Minha Mulher

Minha mulher
Minha?
Não és mais minha do que sou teu
E sabemos bem
Que ninguém pertence a ninguém
Mas, digo “minha”
Por estares tão dentro de mim
Irremediavelmente
Minha mulher
Minha?
Tamanha ousadia seria crer te possuir
E você bem sabe
Que você é forte e livre
Mas digo “minha”
Por, livre, caminhares ao meu lado
Por, forte, persistires do meu lado
Minha mulher
Minha?
Petulância, talvez, nisso insistir
És demais preciosa para querer-te minha
Mas, digo “minha”
Como modo de me lembrar
Quão afortunado eu tenho sido
Sim, senhora, digo e repito
Minha mulher
E o destaque que deve ser ouvido não é no pronome
Mas, no forte substantivo que o acompanha
Pois és para mim muito mais do creio eu ser capaz
Mas, não és menos do que lutarei por superar
Não por qualquer disputa estúpida
Não sou tão infantil
Mas, porque não pretendo te dar
Nada menos do que mereces
Minha mulher,
Parabéns pelo seu dia
Todo dia

Pablo de Araújo Gomes, 08 de março de 2014

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Haikais I - Fobias e Sem Humildade


Fobias

Frio calafrio!
Morrer de medo de ter
Medo do medo

Pablo de Araújo Gomes, 15 de agosto de 2012



Sem Humildade

Advogado
Pensa que é jurista
Mas é um besta

(nota: haikai sobre maus representantes de nobre profissão)

Pablo de Araújo Gomes, 15 de Agosto de 2012


quarta-feira, 21 de março de 2012

Bom Dia!

Doces, róseos lábios,
De úmida maciez,
Tocam-me o pescoço
E eriçam cada fio em minha pele

Sinto quente a respiração
Que me tira o ar
E o cheiro matutino
Da dama que vem me acordar

Como corre o salão
Um casal de bailarinos
Deslizam em minhas costas
Os cabelos compridos

Eu de bruços, semiacordado,
E ela, então, em mim deitada,
Lépida, linda, aconchegante,
Com um sorriso inebriante
Seu corpo quente
Me recobre até a alma
Seu peso me desperta,
Viro-me, dou-lhe um beijo,
E trocamos um intenso e mútuo desejo
De Bom Dia!

Pablo de Araújo Gomes, 20 de março de 2012

domingo, 3 de julho de 2011

Renascer

O que renova os juramentos,
O que recria as crenças
O que permite, após as trevas,
Ressugir o sol ardente e claro
Em meio à tempestade, não desiste

O que não pára de sonhar,
O que não pára de viver,
Se permite, hoje e sempre,
Renascer

Pablo de Araújo Gomes, 03 de julho de 2011