terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Lágrimas

Lágrimas?
Por que?
Por quem?

Lágrimas porque todo fim é triste,
Porque partir machuca,
Porque a dor precisa de um escape.

Lágrimas porque o fim não foi fácil,
Porque a partida foi conflituosa
Porque o fim foi da forma mais dolorosa.

Lágrimas porque a injustiça dói muito.

Lágrimas, não mais por alguém,
Talvez por perder alguém,
Mas como perder o que não se tem?

Lágrimas por desabafo,
Mas as lágrimas não me saem.
A dor fez voto de clausura em meu coração,
E as lágrimas recusam-se a dar habeas corpus.

Lágrimas...
Para que?
Se agora até elas me abandonam,
Por que me incomodar que não me socorram?

É que, se tenho os olhos secos,
O coração queda-se inundado de lágrimas,
E as lágrimas, elas mesmas, amotinadas
Me afogam, me matam um pouco a cada dia.

Lágrimas ingratas, já nem merecem,
Que eu gaste meu verbo em seu nome,
Que lhes gaste versos em poesia!
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Pablo de Araújo Gomes, 28 de dezembro de 2010