sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Criogenia

Foi congelado um amor
Que jazia, coitado, enfermo;
Mas não foi feito em laboratório,
Cultivado, cuidado o amor guardado.
Congelou o amor na sarjeta,
Na Sibéria de um coração ferido;
Congelou pelo frio, o amor,
Que ao coração o próprio amor havia submetido
E tudo relacionado a ele foi guardado
Tudo relacionado a ele foi esquecido.

Mas, muito tempo depois,
O coração ao sol quereria se abrir
E em tempo certo, quem diria,
Acorda o amor, animado, vivaz,
Ressurge a esperança, na surpresa,
O amor promete, ele tem certeza
De que volta para sempre,
De que as coisas vão esquentar.

Mas a saúde do pobre amor
Já não ia bem das pernas;
Mesmo em condições favoráveis
Assim, mesmo, com tanta expectativa,
O amor já não é o mesmo
Talvez já nem seja amor
Talvez, uma amizade não assumida,
Com certeza, uma promessa não cumprida.

O amor, que veio vivo e forte,
Mostrou-se intenso como uma chama,
Que tudo queima, e nada resta,
Reaqueceu o coração, outrora congelado,
Mas tão forte e intenso, ao eliminar o vazio do gelo
Deixou tão-somente um coração vazio,
coberto de cinzas, carente de em lágrimas ser lavado...

Pablo de Araújo Gomes, 8 de janeiro de 2010